Elas somos nós

setembro 10, 2018
Elas somos nós
Um olhar sobre as mulheres que somos e seremos

Ilustração: Priscila Barbosa

Em meio a uma conversa aleatória no bar, com as minhas amigas, chegamos no assunto sobre beleza e toda pressão que recebemos desde a infância por parte de nossas mães. Os primeiros “encolhe a barriga”, “arruma esse cabelo”, “tu não vai sair assim”, “tu engordou”, “tá magra demais”, que acabam por nos marcar por toda vida e muitas vezes deixam cicatrizes dolorosas em nossa autoestima e infelizmente minam nossa autoconfiança.


Falamos sobre como era recorrente ouvirmos o quanto engordamos, ou que estamos magras demais, que “fulana” tá linda, que tem um “corpão” ou “que fulana, além de linda, já tem seu apê, carro e vai muito bem no trabalho”. Desabafamos muito, trocamos nossas experiências e nos demos conta de que mesmo todas ali sendo diferentes, em características físicas e sociais, acabamos passando pelas mesmas pressões, ligadas a questão estética e toda batalha que travamos de lá até aqui para construirmos nossa autoestima.


Em meio ao sentimento de angústia e indignação pela ausência do apoio em sermos nós mesmas por parte de nossas mães, nos demos conta de que que essas mães, somos nós, que elas são mulheres que cresceram ouvindo os mesmos “conselhos”, recebendo a mesma opressão, quando não piores, mulheres feridas e com toda uma carga emocional pesadíssima atreladas a elas.


Nos demos conta do quanto estas mulheres sofreram e o quanto apenas podem estar replicando o que receberam, e que o que elas entendem como o “olhar maternal”, acaba sendo apenas o repasse de todas as dores que elas foram afligidas, que infelizmente acabam esquecendo que ao nos julgarem, estão se julgando,  neste momento o trecho da música do Legião Urbana, “Pais & Filhos” do Legião Urbana, “Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo, são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer…”  nunca fez tanto sentido, elas somos nós e vice versa, são mulheres machucadas, e que muitas vezes não se dão conta de que o olhar que colocam em nós é quase como se elas mesmas estivessem se olhando.


Não tô aqui afirmando que toda crítica e ou comportamento crítico é sempre reflexo da criação e ou educação, longe de mim, quero é tentar levar vocês a refletirem que muitas vezes nossas opiniões não são nossas, são apenas a réplica do que alguém um dia disse ser o certo. Quero tentar nos levar a olhar nossas mães, como olhamos todas as mulheres, compreender o quanto elas foram forçadas a sangrarem para chegarem nas mulheres que são hoje. É conseguirmos olhar para elas e aplicar com elas a sororidade que tanto cobramos fora de casa, é forçar vocês a olharem para dentro. Devemos isso a elas, a nós e a todas meninas que hoje florescem para amanhã serem nós.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.